terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Novos materiais: o deslumbramento pelos plásticos


Nos anos sessenta os plásticos popularizaram-se e começaram a ser usados em objectos do quotidiano. Já neste blogue me referi aos ramos de rosas e outras flores de plástico, com que se colocavam numa jarra em cima dos frigoríficos ou mesmo noutros locais mais dignos. Também me recordo que nos anos sessenta se usavam umas pequenas peças de plástico que se encaixavam nos ponta dos saltos, que na altura eram finos, para deste modo os proteger do rápido desgaste que tinham. Estas pequenas “cápsulas” eram colocadas em água quente para dilatarem e depois enfiadas nos saltos dos sapatos. Havia de várias dimensões mas eram sempre transparentes.


Mas importante mesmo foi o aparecimento das BICs em dois modelos, as clássicas, alaranjadas e de ponta final, e, as “cristal” para quem gostava que escrever com mais paixão. Estas primeiras esferográficas eram usadas até ao limite da tinta, como um bem precioso ao qual era necessário prolongar a vida útil. Quando deixavam de escrever “aqueciam-se” ligeiramente, com a chama de um fósforo para que a tinta voltasse a fluir. Os plásticos invadiram também os materiais escolares. A ardósia e a madeira dos estojos de lápis foram substituídas pelas cores berrantes dos novos produtos.

Claro que às cozinhas também começaram a chegar objectos de plástico. Mas fomos muito para além disso. Digamos que alguns dos primeiros objectos procuraram imitar e tornar acessível às classes com menos posses alguns produtos de luxo, como o caso do pano de tabuleiro da imagem superior. Só posteriormente começou a existir uma maior preocupação em tirar partido das suas propriedades. E nesta fase pode dizer-se que se atingiu o excesso. Por exemplo, recordo-me de na casa do Cubal a mobília de sala ser forrada a plástico cor-de-rosa, sendo extremamente desconfortável num clima quente, para além de qualquer outro tipo de considerações de natureza estética. Noutro local em que vivi, o Songo, toda a “loiça” era de baquelite, sendo os pratos das mais variadas cores. Este material, inventado em 1909, foi dos primeiros plásticos a usado em produtos de cozinha e mesa devido à sua resistência ao calor. Hoje algumas destes artigos são peças de colecção.

É provável que o pão de fiambre e queijo a que me vou referir tenha repousado alguma vez sobre um prato de baquelite de cor berrante. Aliás, pensando bem não me recordo deste material existir em cores discretas! Quando se vendia em conjuntos cada peça tinha a sua cor, valorizando-se os contrastes.


Para este pão utilizei: 2 e mais 1/4 chávenas de farinha, 6 ovos, 1 chávena bem cheia de margarina, 1 e mais 1/2 chávena de leite, 1 e mais 1/2 chávena de fiambre cortado aos cubos pequenos, 4 colheres de chá de fermento em pó, 1 prato pequeno de queijo ralado e sal q.b.. Bati a margarina até ficar esbranquiçada. Depois juntei os ovos interiros, uma a um, batendo bem. A seguir, adicionei a farinha peneirada com o fermento, alternando com o leite. Por último, juntei o queijo ralado e um pouco de sal refinado. Mexi bem e levei ao forno numa forma de bolo inglês forrada com papel vegetal.

6 comentários:

Babette disse...

Desculpe Fa, mas fiquei confusa com as indicações da quantidade de farinha... qto é mesmo?
babette

Fa disse...

Tem toda a razão Babette. A quantidade de farinha é de 2 chávenas mais 1/4 de chávena. Devido ao número de ovos e à margarina este pão fica com uma consistência muito suave e ligeiramente húmida. Claro que na altura se deveria usar a margarina Vaqueiro ou mesmo manteiga e eu agora usei Becel para cozinha, mas recordo-me que a textura do pão era semelhanta à que obtive.
Neste momento não consigo ter acesso à entrada para a corrigir, mas farei isso logo que possível. Obrigada.

Tuquinha disse...

Como nos vai há habituando...introduções maravilhosas que nos atiçam o desejo de experimentar as receitas...Obrigada
beijinhos

Fa disse...

Obrigada Tuquinha. Passei o dia preocupada por não conseguir corrigir o texto da receita. Na verdade tinha trocado a margarina pela farinha. Espero que ainda ninguém tenha experimentado. Logo hoje é que o blogger se lembrou de andar perturbado!

goiaba disse...

Cheguei hoje a este blog e achei a ideia "arqueológica" engraçada.
Sou do tempo desses objectos ( meus ou da minha mãe)e também da Bimby ...!
Virei cá de vez em quando.
Abraço

Fa disse...

Obrigada, "Goiaba". Será muito bem vinda.