domingo, 24 de janeiro de 2010

Rótulos de latas de leite e serviços de chá



As empresas tiveram no passado uma estratégia de marketing que acabou por desaparecer com o tempo, a fidelização dos compradores através de pequenos brindes, que eram oferecidos na sua totalidade ou através do pagamento de um valor módico a que se somava a entrega de um determinado número de rótulos de latas ou de pequenas partes de embalagens (cartão ou papel). Assim se compraram nas décadas de sessenta muitos serviços de chá ou de café, conjuntos de panelas e de tachos ou ainda colecções de pirex, que tão na moda estavam nesta altura. Esta era um técnica de venda que levava os clientes das marcas a uma valorização dos objectos, muitas vezes acima do seu real valor material ou estético. O prazer da sua posse era antecipado e vivido durante períodos de tempo mais ou menos longos. Hoje, quando pensamos em adquirir algum objecto deste tipo, caso não existam limitações monetárias, vamos a uma loja e de imediato o trazemos para casa. Por outro lado, também há um outro aspecto a valorizar. Antes existia entre uma marca, que por exemplo vendia leite em pó em latas, e os respectivos compradores, uma relação que podia ser mediada pela introdução de um terceiro produto. É o caso do leite em pó NIDO, da Nestlé, vendido em Angola em latas com dimensões variadas. Houve uma altura em que os rótulos destas latas, diferentemente valorizados em função do tamanho, davam acesso, perante o pagamento ainda de um determinado valor, a um serviço de chá.

Recordo que foi em Novo Redondo (Sumbe) que a minha mãe “adquiriu” este serviço, que na realidade apenas era formado por 6 chávenas e um açucareiro. Não sei se lhe faltaram rótulos para mais peças. Mas tenho a sensação que a minha mãe nunca o achou de grande beleza estética, nem de grande qualidade. Hoje sou eu que o tenho, mas guardo-o naquilo que eu designo pomposamente pelo meu "gabinete de curiosidades", à semelhança dos gabinetes renascentistas. Gosto de olhar para este serviço, ou mais precisamente para esta parte de serviço, apenas pela estória que lhe está associada.

Já não consigo lembrar-me das poucas vezes em que foi utilizado. Quem terá bebido chá por estas chávenas? Quanto ao tipo de chá utilizado imagino que tenha sido o célebre “Likungo”, com origem em Moçambique e na sua versão de chá preto. Já no que se refere à parte sólida eu apostaria, devido ao dourado das chávenas e às pequenas flores, que só poderiam ter sido uns pãezinhos para chá, os quais não são mais do que os muito britânicos scones.



Esta receita de pãezinhos para chá (scones) era preparada com muita frequência, devido à simplicidade de confecção e à rapidez com que ficam prontos. Dela constam: 12 colheres de sopa de farinha, 1 colher de sobremesa rasa de fermento em pó, 3 colheres de açúcar, 6 colheres de sopa de leite, 1 ovo, 1 colher de sopa de manteiga derretida. Amassam-se bem todos os ingredientes, até estarem bem ligados. Poderá ser necessário juntar um pouco mais de farinha. Tendem-se uns pães pequeninos e levam-se a cozer em forno quente. Depois de cozidos, abrem-se ao meio e põe-se manteiga ou doce. Levam cerca de 10 minutos no forno.

1 comentário:

Babette disse...

Este blog é delicioso!
Adoro histórias, receitas, peças com história....é uma alegria visitá-la! um beijinho,
Babette