domingo, 28 de março de 2010

Vista Alegre rima com arroz doce


As porcelanas da Vista Alegre sempre foram uma referência de qualidade para a minha família paterna, consideradas mesmo como as únicas a serem dignas poderem ser incluídas na categoria das porcelanas. A colecção de peças antigas desta fábrica é quase uma obrigação familiar. Eu própria já assimilei o hábito, às vezes, deplorável, de inverter pratos e chávenas para verificar qual o símbolo (carimbo), porque como devem saber este evoluiu ao longo do tempo e o maior ou menor valor de uma peça da Vista Alegre depende da sua antiguidade, isto é, do tipo de carimbo que encontramos no reverso.

Acredito que os meus pais, quando foram para Angola na década de cinquenta, não levaram peças da Vista Alegre na sua bagagem. Aliás, esta deveria ser muita reduzida, uma vez que era expectável terem à sua espera uma casa mobilada e apetrechada com loiças e roupas. Claro que a realidade não foi assim tão idílica. A primeira casa em que viveram tinha o tecto a cair, das paredes saía salalé e só quando a minha mãe, por acso, derramou um copo de água no chão é que se apercebeu que este não era de terra batida como imaginava, mas que existia uma camada de cimento por baixo. Isto pode parecer uma visão pouco agradável, mas eles ainda hoje falam desse local com muita saudade. Porque ao fim de algum tempo foi construída uma casa nova e tiveram oportunidade de desenharem todos os móveis e de a decorarem ao seu gosto. Numa outra entrada falarei um pouco mais sobre este local - o Cariango.

Mas regressos às porcelanas da Vista Alegre. Estas também chegavam a Angola na forma de serviços que apetrechavam as casas dos funcionários públicos, mas com modelos que às vezes não se encontravam em Portugal. Claro que quando penso na Vista Alegre não posso deixar de me recordar do arroz doce. A minha mãe toda a vida teceu grandes elogios aos arroz doce feito pela minha avó paterna, que realmente era muito bom! O da minha mãe também é bom, mas fica com consistência e sabor diferentes. A receita que eu hoje recupero é a do arroz doce à moda de Ílhavo, cidade onde nos seus arredores se localiza a fábrica da Vista Alegre.

É tradição em Ílhavo oferecer travessas de arroz doce aos familiares e amigos na altura de acontecimentos familiares importantes, como batizados, casamentos, etc. Por isso, quiz repetir esta tradição e fazer também uma travessa de arroz doce, decorada com canela como a minha mãe me ensinou a fazer. Esta receita de arroz doce difere de outras, mais vulgares no nosso país, por não utilizar leite na sua preparação.

Para preparar o arroz doce servi-me de 250 g de arroz calorino (Bom Sucesso - Companhia das Lezírias), 250 g de açúcar, 3 gemas, casca de limão, 1 colher de sopa de manteiga, sal e canela. Levei ao lume a água (3 vezes o volume do arroz), adicionado-lhe duas cascas de limão e a manteiga, assim como uma pitada de sal. Como começou a ferver juntei o arroz. Logo que voltou a retomar fervurar, reduzi o lume, mexendo de vez enquando até o arroz cozer. Nessa altura adicionei o açúcar e deixei ferver durante mais 5 minutos. Depois incorporei as gemas, ligeiramente batidas, que à parte já tinha misturado com um pouco de arroz quente. Deixei estar ao lume mais 5 minutos, mas sem perbitir que fervesse. No finl, coloquei numa travessa que depois enfeitei com canela. para esse efeito cortei um papel vegetal de forma a obter um desenho, que coloquei por cima do arroz. De seguida polvilhei com canela que tinha colocado dentro de um passador, para deste modo obter um efeito homogéneo.

1 comentário:

Marly disse...

Que delícia! e a sopeira que o contém também é linda!