terça-feira, 16 de março de 2010

Do universo feminino dos brinquedos aos bolos


Por causa deste blogue tenho no meu escritório uma série de caixas com brinquedos meus, que trouxe da cave dos meus pais. Claro que já muitos desapareceram, mas mesmo assim consegui conservar um espólio razoável. O conteúdo das referidas caixas remete, sem sombra de dúvidas, para um universo feminino muito associado às designadas actividades domésticas: cozinhar, coser, limpar a casa, etc.. Já a nível de livros a diferença entre o universo feminino e o masculino não se encontra tão marcada.
Pode colocar-se a questão, e certamente muitos já o fizeram, do modo como estes objectos influenciam a formação de uma criança e as suas opções futuras. No meu caso tive várias aspirações na vida, das mais variadas! Comecei por querer ser cabeleireira, mas posso afirmar que nunca tive brinquedos relacionados com essa profissão. O estilismo, a medicina e a arquitectura também foram opções. Mas excepto as bonecas de papel não posso afirmar que a influência tivesse sido de algum brinquedo. A opção final talvez tivesse sido influenciada por objectos, que em norma não os consideramos como podendo ter uma função lúdica. Estou a recordar-me dos fósseis e das rochas que o meu pai costumava trazer para casa e que sempre me fascinaram.
O gosto pela cozinha recebi-o da minha mãe e de todo um trajecto de vida em que a alimentação esteve sempre associada a uma vertente de convívio muito valorizada. Recordo-me que não achava muita graça em fazer cozinhados em miniatura. Aliás, estes objectos continuam novos, pela simples razão que nunca me servi deles. Lembro-me que ainda criança a minha mãe me deixava fazer bolos e biscoitos. Comecei como ajudante e rapidamente ascendi na carreira de "pasteleira" amadora. Com frequência confiavam-me a tarefa de fazer um bolo para um lanche. Normalmente bolos simples, que não envolvessem grandes riscos. Isto é, não estava autorizada a fazer nada com pontos de açúcar, nem a utilizar a técnica do banho-maria, mas praticamente tudo o resto me era permitido. Entre os bolos que fazia encontrava-se o bolo prata, que era usado para aproveitamento de claras.
Na preparação deste bolo é necessário utilizar: 250 g de açúcar, 250 g de farinha, 8 claras de ovos, 2 colheres de chá de fermento em pó, 100 g de margarina e raspa e sumo de um limão. Juntam-se ao açúcar a margarina previamente derretida, assim como o sumo e a raspa do limão. Bate-se tudo muito bem. Em seguida, junta-se a farinha com o fermento, e, por último, adicionam-se as claras batidas em castelo. Leva-se ao forno numa forma de buraco, untada de margarina e polvilhada de farinha. Eu resolvi arriscar e fiz o bolo numa forma de silicone de fundo plano e a experiência correu bem.

5 comentários:

isabel disse...

Um belíssimo bolo de prata preparado por uma cozinheira que pelo avaliar do que tenho visto, vale ouro!
beijinho

Tuquinha disse...

Um bolo de prata que merece ouro...
mais um para o caderninho.......
beijinhos
O silicone agradou?........eu continuo a preferir as formas velhinhas a maior parte da minha mãe.

Fa disse...

Bom dia, Isabel e Tuqinha
Sou apenas uma "amadora" e acreditem que no sentido literal do termo! Mas gosto muito de cozinhar e de fazer experiências. O meu maior problema é que algumas coisas que preparo não as devo comer em quantidade. Por isso, vou oferecendo aos amigos.
Quanto às formas de silicone continuo com algumas dificuldades, este bolo foi feito com uma forma que comprei esta semana, sem buraco, e a coisa correu bem. Já me apercebi que agora há uns modelos que têm um aro de metal à volta que evita aquela assustadora instabilidade, quando levamos os bolos para o forno.

Marly disse...

Olá, Fa,

Percorrendo os meandros da Internet acabei por chegar aqui.
Gostei do teu tesxto, acho que te espressas bem através da escrita. E gostei também desse bolo prata. Já fiz também bolos pratas, que aqui chamamos de bolos de claras.

Beijinho e boa tarde.

Fa disse...

Olá, Marly
Obrigada pela visita e pelas palavras simpáticas. As receitas deste blogue são as que a minha mãe fazia, por isso muito na linha da cozinha tradicional portuguesa. Mas que é uma cozinha com muitas influências africanas e brasileiras, para já não falar das influências asiáticas. Somos dos países europeus aquele que consome mais arroz! Bjs