Estes três açúcareiros são três peças genuínas do meu espólio africano, que para além desses aspectos apenas têm em comum o facto de terem desempenhado uma função idêntica, e, de serem serem os três igualmente kiths, segundo os nosos actuais padrões. Os próprios materiais de que são feitos também são distintos, vão desde a porcelana chinesa à cerâmica/porcelana mais grosseira e ao pirex. O que me atrai hoje nestes objectos é que eles estão em vias de instição. Primeiro porque se começaram a usar aquelas pequeninas pastilhas de adoçante, que são transportadas nas embalagens dos fabricantes. Depois descobriu-se que esses produtos não eram muito bons para a saúde, o aspartane nomeadamente. Para além disso, a meu ver colocar açúcar no chá é um sacrilégio. No café não sei se será, porque não costumo beber!
Mas seja qual for o material, olhando para um açucareiro só podemos ter pensamentos doces, que nos conduzem por sua vez a bolos de caramelo, onde o açúcar foi usado sem qualquer complexo ou fundamentalismo. É o caso deste bolo delícia de caramelo que a minha mãe fazia há muitos anos atrás. Depois ficou esquecido, mas esta Páscoa foi recuperado para gáudio dos gulosos.
Para o bolo utilizei: 1 2/3 chávenas de açúcar; 2 chávenas de farinha; 1 chávena de margarina; 3 ovos; 2 dl de leite; 4 colheres de chá de fermento em pó. Comecei por bater uma chávena de açucar com a margarina. Como utilizei a Becel para cozinha não foi necessário derretê-la previamente. Juntei as gemas uma a uma. À parte, queimei os 2/3 de chávena de açúcar, até ficar em caramelo. Quando assim estiver, junta-se com cuidado o leite que deve estar quente. Mexe-se muito bem, de modo que todo o caramelo fique dissolvido no leite. Em seguida, junta-se ao preparado anterior, mexe-se bem e adiciona-se a farinha com o fermento e, por último, as claras em castelo. Vai ao forno em forma de buraco ao meio, untada de margarina e polvilhada de farinha.
Quando sai do forno coloca-se em cima de uma grelha de bolos para arrefecer. Depois corta-se ao meio e recheia-se. Para esse efeito faz-se um caramelo com 300 g de açúcar a que se junta depois 1/2 chávena de leite quente (com cuidado). Vai-se mexendo até que todo o caramelo se dissolva. Adiciona-se então 3 colheres de sobremesa de manteiga e uma chávena grande miolo de nozes, partido aos bocadinhos. Recheia-se e cobre-se o bolo com este creme, colocando por cima metades de nozes inteiras que também se cobrem de caramelo.